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O MOBILIÁRIO INGLÊS DO SÉCULO XVIII E SUAS CONTRIBUIÇÕES

Por José Marques


Desde sempre o mobiliário fez parte do imaginário da vida social do homem. De um modo mais efectivo ou subjacente, frequentemente esteve associado ao acto público, privado ou litúrgico, estabelecendo relações com o homem mais ou menos frequentes, privadas e afectivas.

Tal como aconteceu com outras formas artísticas, o mobiliário, participou de uma evolução estética lado a lado com conjunturas sociais, políticas e religioso-mentais. A mudança dos padrões de vida social e económica ao longo dos séculos, conferiu ao mobiliário uma exigência na procura de novas soluções, quer decorativas, quer utilitárias, quer de testemunho efectivo de um estatuto social. Esta evidência tornou-se bem visível com o anúncio da afirmação capitalista do Estado Moderno do século XVIII. Não é por mero acaso que nos deparamos com a afirmação de George Hepplewhite, que em 1788 afirmava que o mobiliário deveria "aliar a elegância à utilidade e o útil ao agradável". Este mestre da época foi o grande impulsionador do mobiliário britânico. Grande parte das suas encomendas eram destinadas à aristocracia, mas também à chamada classe média emergente - a burguesia capitalista urbana - a grande clientela desta arte móvel. A gozada estabilidade que Inglaterra usufruia deste 1651 em muito tinha ajudado à estabilidade social e consequentemente ao investimento económico nos mais diversos parâmetros vivênciais. Novos hábitos de vida surgem aliados a esta emergente condição social, fruto da prosperidade económica.

Já não é só o útil que está na primazia de uma encomenda. Embora o decorativo sempre tenha estado associado ao mobiliário, também como requisito inerente a um objecto que participa do espaço humano, é nesta altura que ganha uma preocupação visual mais acentuada. Tanto que não caimos no exagero se afirmarmos que a maior parte dos modelos britânicos produzidos em massa nesta época tocaram de perto as mais variadas classes-tipo e geograficamente não descuraram a vivência rural. O grande crescimento económico do século XVII e XVIII permitiu, como aliás já foi referido anteriormente, um novo olhar para a vida doméstica, como campo de acção humana de valor crítico em relação à estética deste tipo de arte.

Os modelos do mobiliário inglês tornaram-se populares por toda a Europa, e sem dúvida que o estilo de Sheraton e de Hepplewhite polarizaram países também com grande tradição na arte do mobiliário. Falamos evidentemente do caso Francês, e na grande influência que os contributos ingleses trouxeram à corte de Luis XVI (1774 - 1793). Contudo a influência britânica também assimilou componentes francesas. Nem só da exportação de artesãos ingleses viveu o mobiliário de outros países europeus. Associada a uma produção nacional, esses países viram chegar ao seu território mobiliário de origem inglesa. Este fenómeno comercial e artístico também foi alvo de exportação sobretudo para as colónias inglesas, o que ajudou ao generalizar e ao afirmar de um estilo nacional e colonial de uma mesma origem comum.

As peças de mobiliário antigo são hoje peças de valor considerável e variável. Procuradas por coleccionadores, sobretudo quando comportam características de construção e de técnica inabalável. O mobiliário essencialmente de componente doméstica decorativa construído desde o início do século XVII marcou e acentuou a produção de mobiliário e acompanhou evoluções e soluções estéticas até aos dias de hoje.

 
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